Teorias do botão às sete e meia da manhã, by Tomás

(1)

- Mãe, sabes, estive a pensar e acho que era mais fácil se os carros tivessem um botão que a gente carregasse e …pimba…o carro transformava-se numa casa…assim toda a gente vivia onde quisesse.

(2)

- Mãe, então o carro não tem o botão?
- Qual botão??
- Aquele que disseste que tinha…
- Qual??
- O botão para as asas…

(3)


- Mãe, este carro devia ter um botão…
- Outro?? Qual é desta vez??
- Um que a gente tocava e transformava-se num carro fininho, como as motas…
- Ahhnn…

(4)


- Quando eu for grande vou construir um carro!
- Ai sim? Então como vai ser esse carro?
- Vai ter um botão!

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Palavra de honra, não sei se me deva preocupar com o botão…

Parabéns Inês

Dezoito. Farias dezoito anos...
No ano passado, foi isto que te escrevi. Este ano, já não tenho força...
Queria-te aqui...



"Hoje é um dia difícil.
Porque é vazio. Porque não gosto do local onde te darei os parabéns.

Faz hoje 17 anos nasceste-nos por cá. Se a memória não me escapa, pelas nove e tal da noite.


Podia dizer-te tanta coisa, mas não, isso não era nada de novo para ti. Tu lembras-te, agora, de tudo, desde a primeira hora, tenho a certeza. E sabes agora porque cá vieste e porque te foste embora, assim, tão inexplicavelmente, tão brutalmente. Nós ainda não...

Mas é essa certeza de que tu já sabes tudo que me vai permitindo levar a vida, um dia atrás do outro, que me permite ter esperança, olhar e ver os teus primos a crescer, a tua irmã a ficar uma mulherzinha, e ver a tua Mãe e o teu Pai, (duas pessoas maravilhosas), a enfrentar com coragem, a segurar pelos cornos, esta malvada besta chamada Saudade, e os avós, o Avô João e a Avó Mariana, sem bem saberem ainda o que foi que os arrasou e sempre de coração aberto e pronto a ajudar...

E, estupidamente, ou não, é ainda isso que me dá força para carregar os meus fantasmas às costas e para arremessá-los, com mais força, meu Anjo. Porque se houve alguma coisa que me ensinaste foi exactamente a lutar, sempre, nunca desistir, nunca baixar os braços. Nunca!

É a certeza de que nada disto é em vão, nada disto é por acaso, de que tudo tem uma explicação que me sustenta as cordas...

Ainda sinto a minha mão na tua cabecinha, já cansada, a fazer-lhe festas.
Ainda te oiço a voz firme (não, não me quero lembrar da tua vozinha cansada, dessa não), de timbre grave, a comandar-nos a todos...
Ainda te vejo a desenhar as tuas bonecas.
Ainda te vejo os olhos tão lindos e as tuas sobrancelhas, finas, que mais parecem ter sido desenhadas com um traço tão fino por uma mão divina...
Ainda te vejo nesse teu porte majestoso.
E até te vejo e sinto pequenina, quando ainda cabias nos meus braços...

Mas... o medo que tenho é até quando conseguirei eu ver-te e ouvir-te assim, tão claramente?

Porque de agora em diante, o que verei é uma lápide tão fria, meu Anjo...

Resta-me o mar. Aquele mar que de ora em diante se chama Inês...

Voa para sempre, alto e livre, meu Amor!
"

13 de Maio de 2005

Semi-férias...

Risos! Passeios! Correrias e tropelias à beira-mar! Piqueniques com os amigos e jantares “à la carte” para baixinhos, mesmo em casa! Maratonas de cinema no meu quarto “regadas” a pipocas! Nada de ATL à tarde! Jardins e parques infantis, isso sim! Grandes futeboladas com os amigos do jardim! Histórias mil à noite, inventadas e contadas a preceito, com direito a guarda-roupa a condizer! Guerras de cócegas e de almofadas!...

Sim, na semana passada baldei-me à faculdade, mas…que se lixe! Foi por uma boa causa – ou melhor, por duas causas nobilíssimas: os meus pintarroxos!

Eles não faltaram à escolinha, mas as tardes eram nossas! Sim, atrasei-me terrivelmente com a matéria, mas, em compensação, foi uma semana em cheio! Fez-nos tão bem aos três! Os livros retomam-se esta semana, que o coração ficou atestadinho!

A repetir!!