Crónica dos dias que voam...

Era uma vez uma mãe que se viu com dois pardalitos nos braços, boquinhas abertas, sedentas de alimento e amor.

Era uma vez uma mãe com dois pardalitos que chilreavam, pulavam e dançavam, corriam e brincavam, por entre os dias de escola e os dias de mimos nos avós, escondidos debaixo das saias de sua mãe.

Era uma vez esta mãe de dois pardais. Já não são os pardalitos saltitões de outrora, mas continuam a brincar e a sonhar.

Estes pardais têm agora 12 e 14 anos, têm corpos de homem e mulher escondidos dentro da sua alma de criança, qual crisálidas em formação.

Ele recusa-se a fazer a barba que, insipiente, já lhe faz sombra e bigode, pois diz, com uma voz meio grave, de homem que se prepara para ser, mas com olhar de menino, criança que ainda é, que não quer crescer porque não quer sair da casa da mãe. A mãe tranquiliza-o e diz-lhe ao ouvido "és o passarinho da mãe para sempre e só sais de junto de mim se e quando quiseres".

Ela continua a ser a fada que flutua aqui em casa e nos nossos dias. O desenho  é tudo para ela. Qualquer pedaço de papel é bom para a sua arte. O futuro?... esse para ela é uma tira de banda desenhada cujo enredo ainda nem imaginou... tem lá tempo para isso?!

São mais autónomos. São mais responsáveis. Têm sentido de humor refinado. Fazem companhia. Têm conversa. Questionam a mundo, a vida, as coisas, o país, a situação. São e estão. E estão aqui.

Era uma vez uma mãe de dois adolescentes que ainda se levanta de noite para lhes aconchegar a roupa, para lhes escutar a respiração e mirá-los com amor.

Era uma vez um mãe que não notou que passou quase uma década desde que as nossas vidas se alteraram tanto.

Era uma vez um Reino da Confusão...