A espaços

Escrevo aqui cada vez mais a espaços. 

Leio-me ali para trás e revejo algumas situações como se não tivesse sido eu a vivê-las. Parece que é positivo não nos agarrarmos ao passado. Pelo menos às partes menos simpáticas do passado. Que as águas do tempo levem as coisas e as pessoas menos simpáticas para um estuário de memórias onde nunca atracaremos de novo.

Por agora, tenho outras experiências a  viver. E mais uma vez, a novidade e a surpresa a estarem presentes.

Nele, fascina-me a maturidade, a sagacidade com que analisa o mundo que o rodeia e a capacidade que tem para descartar - e para se descartar - de pessoas e de situações que não [lhe] interessam. E o seu sentido de humor refinado. É responsável, confiável, sem deixar de ser adolescente, com todas as implicações que esta fase da vida tem:

Exemplo 
(sexta-feira, 02/10/2015, 18:00 TMG, casa da mãe, à chegada da escola)
Ele: Mãe, afinal sempre quero fazer a barba! Vi aqui na net uns conjuntos de espuma e gilete e assim que podemos mandar vir...
Eu: Ok, então vou comprar a tralha toda. [pausa para ver a tal página, nos EUA...] - Opá, mas tens de mandar vir isso de tão longe? 25 dolares????? Em Portugal temos coisas muito boas...
Ele: Está bem, então compramos cá.
(sábado, 01:17 TMG, sms enviado de casa do pai)
"Afinal esquece, não preciso de fazer a barba. Boa noite. Adoro-te"
... ...

Ela é a contemporizadora, a apaziguadora quando eu e o irmão nos desentendemos. É a diplomata de serviço. É a sonhadora que paira aqui por casa, mas ao mesmo tempo a mais curiosa. Quer sempre saber porque é que as coisas são assim, interessada na vida, na sociedade, até na política e com quem tenho grandes conversas ao jantar, pois ainda que seja novinha, consegue-se manter uma conversa coerente com ela (no ano passado pediu-me a Constituição para ler, que tinha curiosidade de ver "a lei que manda nas outras leis").

Tudo isto sem deixar também que a adolescência cumpra o seu papel também...

Eu: Então não passaste argila na cara por causa das borbulhas? 
Ela: [com aquele arzinho de quem nem se lembra que a argila está ali, mesmo junto ás escovas de dentes...] Sim, passei... 
Eu: Hum... hoje??? ...
Ela: Er... não... mas não perguntaste se foi hoje... [ar angélico até partir...]

E é assim... 

Tenho aqui um homem e uma mulher  (e no sentido literal...) que me acompanham, que são meus filhos, meus amigos e meus companheiros. E cada dia que passo agradeço ao Universo estes dois seres que me acompanham e me dão o grato prazer de com eles compartilhar a minha vida.


E é assim, neste Reino da Confusão...