Flying Solo

Pois é...estou de regresso. Estou de regresso ao trabalho, à vida. Á minha nova vida.
Mas, este ano, o regresso tem um sabor novo. Tem o sabor de ser eu a comandar o leme.
É, agora, o meu leme.
Deixei o passado para trás. Dele, desse passado a quatro, trago recordações boas, momentos felizes que retenho como se de fotos se tratassem. Não quero saber das coisas menos boas. Essas, hão-de se perder. O tempo encarregar-se-á disso. Mas ficam as lições.
E trago um tesouro preciosíssimo- os meus dois baixinhos. São eles a razão de, ainda hoje, me dizer a mim própria e aos outros "Não me arrependo de nada!".

O presente vai ser duro - nunca vivi sozinha, há decisões que nunca tomei por mim própria, situações que nunca imaginei vir a passar sózinha, enfim, uma vivência completamente diferente.

Por vezes, fico com medo de magoar os meus tesouros, mas, fazendo as coisas com calma e ponderação, acho que vou conseguir. Vou confiar no meu instinto de mãe.


Ás vezes, assusta um bocadinho. Mas, mesmo assim, sabe bem. É um desafio. E depois, tenho uma coisa que é fundamental em situações como esta - uma Família, com letra grande! E Amigos. Com letras grandes também. Todos têm sido incansáveis. Incomparáveis!


O Futuro? Esse, ainda não está cá - e só vem a ritmos diários. Pois, viver um diazinho de cada vez. Nada de doses excessivas de desespero nem de entusiasmo. Pragmatismo q.b..

É o que tento fazer...às vezes é difícil, mas, mais tombo menos arranhão...só quem cai é que aprende a levantar-se, não é?

A Primeira Estrela da Noite

Estamos no nosso novo castelo.

Estava uma noite de verão muito agradável e as cores com que o céu fica quando o Sol se põe são lindas, ali, merecendo que nos detenhamos um pouco, naquele momento mágico do por-do-sol, ainda que não haja mar no horizonte. Só o palácio da Pena, empoleirado sobre a Serra de Sintra.

Chamei-o. Que viesse ver aquilo comigo, que era lindo. Gostava de o habituar a apreciar estas coisas, o que acho ser tarefa fácil - ele é extremamente sensível.

Veio. Ficámos os dois à janela e expliquei-lhe que eram as cores do quarto onde o Sol se deita todas as noites. Riu-se. Ri-me também. Sei que ele sabe que aquilo sou eu a inventar...Mas não interessa, porque nos rimos tanto!

Depois, ao olhar para o céu, lá a vi, "penduradinha" por cima do Palácio e disse-lhe que aquela era a primeira estrela da noite, e que, sempre que a vemos, podemos pedir-lhe um desejo. Mas, adverti-o, é segredo, não se pode dizer a ninguém. Então, lá pôs um ar muito sério, e, depois de um minutinho ou dois, disse com um ar orgulhoso, como quem termina uma tarefa hercúlea:
"Já está!". E, curvando-me até ao nível do seu ouvido, segredou-me "Já pedi, Mãe! Sabes? Pedi aquele boneco que é um monstro verde do Action Man para quando fizer 6 anos. Não digas à Estrela!"
Assegurei-o de que a minha boca jamais se abriria com qualquer inconfidência à Estrela...

Pela minha parte, desejei ardentemente que tudo nos corra bem!

Não digam à Estrela, por favor!

De um filho lindo que eu tenho...

...e que depois de ver a irmã chegar do pediatra, maçada, ensonada, birrenta e mal disposta, se virou para a Avó e disse "Ó Avó, eu já não sei o que hei-de dar à minha Rita para a fazer feliz!..."

Meu Menino de Luz, meu Príncipe, o amor que tens por ela, esse amor orgulhoso e doce de "mano grande", é o tesouro mais precioso que alguma vez lhe podes dar.

E um dia destes, ela há-de perceber isso.

Um beijo tão grande para o Menino mais lindo do Mundo!