A Real Passagem de Ano

É verdade que a passagem de ano não deixava antever nada de especial. De resto, à parte chatices e aborrecimentos pessoas, também já me começa a aborrecer esta quase “obrigatoriedade” de nos tornarmos “party animals” na passagem do ano.

Bem, e lá estava eu, mais o meu par de jarras mai lindo!!!, os três a planear um final de ano em paz e sossego, muito caseiro e tal, quando recebemos um telefonema da “tia” Stela. “então, amiga, vens até cá?”, “não, fico em casa, que não estou muito animada e fazemos aqui um programinha os três…”, respondi.
“Ai isso é que não pode ser!! Tu desculpa, vens até cá, fazes favor!!”, replicou. E mais me disse “Ou vens tu até cá, ou vou eu até aí!! Sozinha é que não ficas!” – E como eu sei que ela tem um feitiozinho, que ó senhores ouvintes!!! , condescendi de imediato!!

“Boa, vens tu cá… não tenho é sítio onde vos sentar, a ti ao ao N. … e se fôssemos passar a meia noite na rua? Isso é que tinha piada… com a telha que tenho, sabia bem variar!”, respondi, sem saber que as palavras têm um poder imenso!!

É que variámo, e como variámos! Ela respondeu-me “’Bora até à praia?” E então, os meus desejos realizaram-se na íntegra!!


Os deuses e os astros conjugaram-se para nos proporcionar a mais fantástica das noites:

Para começar, apareceu-me em casa pelas onze e um quarto, com um aparato fantástico, que ia dos tuperwares com bolo, cacau quente para os miúdos, às garrafas de champanhe (sim, eram duas porque nós 3 bebemos imenso, como devem calcular!!), guardanapos e passas (e ainda reclamou porque se esqueceu de uma toalhita para nos sentarmos)… às onze e um quarto, repito… que é uma hora muito boa para se sair de Lisboa em direcção ao Tamariz (que também é um local que mais ninguém conhece, portanto…)

O N. também se tinha esquecido de levar o carro à bomba, de maneira que houve ainda que passar numa estação de serviço. Ora, 15 minutos a mais ou a menos na noite de passagem do ano, que é que isso interessa, hum?? Picuinhices…

Eu cá, de mim para mim, desconfiei que ia passar a meia-noite no carro (nota mental: passar a dar mais atenção a estes pressentimentos em 2007)... Pois é... Passei. Passámos. Aliás, foi um momento, onde ainda se instalou alguma dúvida, porque nenhum de nós usava relógio e os telemóveis tinham todos as horas diferentes. Tivémos de sintonizar o rádio numa estação estranhíssima, com um lucotor aos berros ... 7, ...6, ... 5, ...4, ...3, ...2, ... MEIA NOITE!!! 2007!!!

Mas foi lindo, porque estávamos completamente entalados num maravilhoso engarrafamento ao pé do Casino do Estoril. Que é um sítio bom para uma pessoa se entalar em filas, até porque o nível sócio-económico é médio-alto, alto, logo a qualidade dos insultos tem outro apport…

Ou seja, tudo bons augúrios: haveríamos de chegar à praia algures antes de Fevereiro…

O fogo de artifício, esse, foi maravilhoso – calculo eu, que só vi o fogo de artifício por um cantinho da janela, assim por entre duas vivendas.

Mas desconfio que o espectáculo pirotécnico tenha estado ao nível da Madeira, a avaliar pela quantidade de gente que vinha a pé a subir a rua – sem saída – por onde ela sugeriu ao pobre N que levasse o carro para estacionar… É, deve ter sido fantástico… ficámos aí uns bons 20 m minutos a ver se aquela gente toda saía dali…

Aqui um à partezinho: o nosso amigo N. estava um bocadito enervado porque entre o carro dele e os outros que o ladeavam nos passeios só havia, de cada lado para aí uns 45 cm… também não sei para quê tanto nervo… quer dizer, ninguém nos agrediu fisicamente e os impropérios tinham pinta (já expliquei porquê). Tá bem, eu entendo que ele se tenha enervado quando o homem da cadeira de rodas quis passar e riscou a pintura, mas, pronto, são coisas que se resolvem, certo?

Enfim, chegámos à praia, não comemos as passas, os putos borrifaram-se para o chocolate quente, só queriam ir tomar banho (?!), bebemos o champagne em copos de café, de modo que para tomar o equivalente a uma taça decente tive de beber 3 vezes.

Lá que foi diferente foi.
E gostei. Entrei o ano genuinamente bem disposta!

Esta Rainha e os seus dois Infantes agradecem à S. e ao N.